terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Crime e Castigo - PDF Ebook Download

Crime e Castigo, do russo Fiódor Mikháilovitch Dostoiésvski, relata o remorso, angústia e paranóia vividos por Ródion Románovitch Raskólnikov, um jovem estudante de direito que se vê marginalizado pela falta de dinheiro, após cometer o assassinato de duas mulheres
: Alena Ivánovna, uma velha usurária, a quem Raskólnikov empenhava alguns objetos para obter dinheiro para sua sobrevivência e Isabel Ivánovna, irmã da usurária.
O melhor desenvolvimento psicológico que tive oportunidade de ler, o livro é um calhamaço, mas nenhuma página é desperdiçada.

Trecho:

(...) - Mas estão os dois de brincadeira, ou quê? - exclamou, finalmente, Razumíkhin. - Estão os dois troçando mutuamente, fingindo elogiarem-se? Sentaram-se aí para troçar um do outro? Falas a sério, Rodka?

Em silêncio, Raskólhnikov ergueu para ele o seu pálido rosto, quase lúgubre, e não respondeu nada. E pareceu estranho a Razumíkhin aquela cara tranqüila e triste e, ao mesmo tempo, a cara franca, provocante, irritada e severa de Porfíri.

- Bem, meu amigo; se isso é a sério, então... Não há dúvida nenhuma que tu tens razão quando dizes que nada disso é novo e que é parecido com aquilo que temos já mil vezes lido e escutado; mas o que, de fato, é original em tudo isso... e, positivamente, te pertence a ti, com horror da minha parte o vejo, é tu chegares a dizer que se pode "em consciência" derramar sangue, "conscientemente", e desculpa-me, mas até com certo fanatismo... É possível que a idéia principal do teu artigo se resuma a isto. Mas essa autorização para derramar sangue conscientemente, isso, a meu ver, é mais feroz do que a decisão oficial e legal de verter sangue...

- Perfeitamente... é mais feroz... - concordou Porfíri.

- Não, tu, nisto, vais demasiado longe! Isso é um erro. Hei de ler-te... tu exageras! Não é possível que tu penses assim... Hei de ler...

- No artigo não há nada disso, apenas há insinuações - declarou Raskólhnikov.

- De fato, assim é, assim é - concordou Porfíri -, agora já percebo como é que o senhor deve considerar o crime, mas... desculpe a minha insistência... (estou a incomodá-lo muito e já tenho remorsos!) mas veja uma coisa: há pouco tranqüilizou-me a respeito dos casos errôneos de confusão entre as duas categorias, mas agora tornam a inquietar-me alguns casos concretos. E se um dia, a um homem já feito e refeito, ou a um rapaz, lhes desse para se julgarem um Licurgo ou um Maomé... futuro; naturalmente, e começassem a eliminar todos os obstáculos que se lhes atravessassem? "Que diabo, tenho de fazer uma grande viagem e, para uma viagem destas, é preciso dinheiro..." Bom, e começasse a fornecer-se para a viagem... Compreende?

De súbito, Zamiótov espirrou, no seu canto. Raskólhnikov nem sequer ergueu os olhos para ele.

- Não tenho outro remédio senão concordar que, de fato - respondeu muito tranqüilo -, se hão de dar casos desses. Especialmente os imbecis e os vaidosos costumam incorrer nesses erros, sobretudo os jovens...


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